Audiência Pública na AL em defesa da biblioteca e da leitura. Participe, esta causa é de todos nós!
A Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede estará em peso na audiência pública Em Defesa das Bibliotecas, do Livro, da Leitura e Literatura, convocada pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de Pernambuco. É nesta segunda-feira, 20, às 10 horas, no auditório do 6º andar do anexo I da AL. Você é nosso convidado. Participe, esta causa é de todos nós.
A audiência atende à solicitação da Comissão Intersetorial em Defesa das Bibliotecas, Livro e Leitura, da qual nossa Rede faz parte. Somamos força com as bibliotecas públicas municipais, estadual e escolares. Contamos com o empenho da deputada Teresa Leitão (PT), que preside a Comissão de Educação e Cultura do Legislativo estadual, nesta empreitada.
Formação em parceria com o Ceel
Começou pela Biblioteca Peró, dia 29 de abril, a formação de articuladores e mediadores de leitura da nossa Rede visando o desenvolvimento da escrita a partir da leitura. Foi a primeira de três oficinas temáticas Ler para Escrever, parceria da Releitura com o Ceel – Centro de Educação em Estudos e Linguagem da UFPE.
O objetivo é instigar cada participante a mergulhar no mundo da escrita, a partir da análise e reflexão sobre um conjunto de obras literárias, diferentes estilos e percursos dos autores na construção dos seus textos e enredos.
Outras virão, em sistema de rodízio da equipe e das bibliotecas-membros da Rede.
Eis algumas das fotos da oficina, que nos foram enviadas por Luh Lima, educadora e mediadora de leitura da Peró:
Histórias que juntam silêncios e compartilham amor

Marina Colasanti, Gregório Filho e Affonso Romano de Sant’anna chegam à Praça da Leitura , no Lercon 2013 – Fotos: SE
O blogue da Releitura pediu e Fabi, jornalista, escritora, atriz, contadora de histórias e mediadora de leitura na Biblioteca Popular do Coque, escreveu uma bela crônica sobre sobre a experiência do Lercon 2013 – Congresso de Leitura e Contação de Histórias de Pernambuco.
Sob o tema A Leitura Muda a Nossa Vida, o evento, em sua segunda edição, teve o apoio da nossa Rede, via Instituto C&A, cujo programa Prazer em Ler integramos - aqui no blogue. Aconteceu dias 09 e 10 últimos, no Centro de Convenções Olinda/Recife~.
Trouxe convidados ilustres, dentre eles o casa- escritor, Affonso Romano de Sant’anna e Marina Colasanti, responsáveis pelas palestras de abertura e encerramento, respectivamente; e o contador de histórias Gregório Filho.
A gente conta mais depois. Por enquanto, degustemos o texto de Fabi, cujas linhas e entrelinhas, outras, são traçadas, também, em seu blogue Palavras-pontes, cujo acesso recomendamos.
Histórias que ficam
por Fabiana Coelho

Marina atenta à fala do marido-escritor-palestrante. Ao seu lado, o organizador do Lercon, professor Hugo Monteiro
Bons poetas e contadores de histórias, assim como os bons livros, passam por nós deixando rastros na alma. Ou melhor, não passam. Deixam um pedaço deles em forma de palavra que não se apaga…
O contador de histórias Gregório Filho, do Rio de Janeiro, é um deles. Chega como um sopro leve, com suas barbas longas, seu jeito calmo, sua melodia… Espera que o silêncio se instale para, só então, sussurrar uma canção. Canção que nos traz doces lembranças, que cava um nó em nosso peito e prepara o coração para a história que vem.
E ela vem doce como um murmúrio de águas… A avó, a cercar-se dos netos para cortar os panos, cozer toalhinhas, bordá-las com as fases da lua, passá-las a ferro, guardá-las… e esperar a chegada da lua que transformaria em mulher a menina neta. E, nesta lua, todos comemorariam e lavariam no rio a toalhinha, vendo correr a água escarlate. Por que no mundo inteiro, todas as mulheres borram as toalhinhas e anunciam o início do ciclo da fecundação.
Uma história que chama outra, desta vez soprada por voz feminina:
“Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Os homens vertem sangue por doença ,sangria ou por punhal cravado, rubra urgência a estancar, trancar no escuro emaranhado das artérias.
Em nós o sangue aflora como fonte, no côncavo do corpo. Olho-d’água escarlate, encharcado cetim que escorre em fio.
Nosso sangue se dá de mão beijada, se entrega ao tempo como chuva ou vento.
O sangue masculino tinge as armas e o mar empapa o chão dos campos de batalha, respinga nas bandeiras, mancha a história.
O nosso vai colhido em brancos panos, escorre sobre as coxas, benze o leito manso, sangrar sem grito que anuncia a ciranda da fêmea.
Eu sou uma mulher que sempre achou bonito menstruar.
Pois há um sangue que corre para a Morte.
E o nosso que se entrega para a Lua”
Quando recitou esse poema, na manhã da sexta-feira, no Lercon, conduzida ao microfone pelo contador de histórias de longas barbas, Marina Colasanti anteciparia um pouco do que viria mais tarde, no encerramento do evento.
Elegante e bela, de passos leves como a andar sobre nuvens e um sorriso como janela do coração, ela subiu ao palco para falar de livros. Não como quem escreve resenhas. Mas como quem sofre de um encantamento contagioso. E, encantada, ela descreve seus heróis, suas florestas tropicais, seus esconderijos secretos, suas viagens e viajantes… todos visitados em páginas literárias. E cada um dos que a escutam vai enchendo a alma de histórias e livros.
E o desfecho não poderia ser outro que não uma história de amor. Amor que ela expressa não apenas pelos livros, mas pelas pessoas, pela vida, pelo mundo… Amor que ela expressa em seu olhar cúmplice para o companheiro e poeta Affonso Romano de Sant’anna. Amor que ela anuncia no conto que vem por aí, e que ela antecipou para nós: uma mulher que espera a volta de seu amado. Sempre, da mesma forma, no mesmo lugar, espera. A cada dia, lança um fio de seu cabelo ao mar para que sirva de mensageiro ao seu amado. E um dia, ao lançá-lo às águas, a lua ilumina o prateado do fio. O mar se compadece e reúne todos eles, formando uma imensa corda de fios de cabelos, por onde ela caminha em direção ao seu amado…
Do Lercon, guardarei muitos ensinamentos. Mas estas duas lembranças lançarão longas raízes: um homem de longas barbas a juntar silêncios, canções e histórias; e uma linda mulher a falar histórias de amor: pelos livros, pelo companheiro, pela vida…
Poesia de mulher para mulher
Em homenagem às mulheres que optaram por ser mães – ou não.
Em louvor às mulheres que cumprem, como podem, e glorificam a dádiva – ainda que não a tenham escolhido.
Poesia de mulher para mulher.
Com licença poética
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

* Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Leva uma vidinha pacata naquela cidade do interior: inicia seus estudos no Grupo Escolar Padre Matias Lobato e mora na rua Ceará. No ano de 1950 falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos.
Em 1975, Drummond sugere a Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, que publique o livro de Adélia, cujos poemas lhe pareciam “fenomenais”. O poeta envia os originais ao editor daquele que viria a serBagagem. No dia 09 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora.
Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá.
Saiba mais sobre a poetisa clicando aqui num sítio, quase, homônimo, à nossa Rede. É de lá que transcrevemos as informações acima.
A Releitura está no Lercon 2013
A Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, em parceria com o Programa Prazer em Ler do Instituto C&A, está entre as instituições que apoiam o Lercon 2013 – Congresso de Leitura e Contação de Histórias, realizado pela HMF Assessoria Pedagócia, que acontece hoje e amanhã no Centro de Convenções. O tema central desta edição, a segunda, é A Leitura Muda a Vida.
Na abertura, nesta quinta-feira, 09, a partir das 18:00 horas, dois presentes: apresentação da banda O Baile dos Seres Imaginários e palestra do escritor mineiro, radicado no Rio, Affonso Romano de Sant’Anna, ex-diretor da Biblioteca Nacional. Nos Desafios da Vida Construímo-nos Leitores é o tema da palestra de Romano. Importante registrar que O Baile tem no elenco o mediador de leitura e um dos articuladores da nossa Rede, Rodrigo Fisher; e a contadora de histórias e assessora Pedagógica do Programa Prazer em Ler do Instituo C&A, Érica Verçosa.
Releitura e Instituto C&A participam, também, de três mesas de debates na tarde do segundo dia do congresso, no Auditório Tabocas, a partir das 13:30: Política Pública do livro, leitura e biblioteca para todos, Campanha Eu Quero Minha Biblioteca – Lei 12.244 – Experiências exitosas para a garantia desse direito e Bibliotecas Públicas Comunitárias em Rede.
Por questões de premência de tempo, a programação do Lercon 2013 não inclui a contribuição da Releitura e do Instituto C&A, que inclui mediação de leitura e socialização das experiências da nossa Rede. Segue abaixo:
Atividades da Releitura/ Programa Prazer em Ler – Instituto C&A no LERCON
10 de Maio de 2013
- 13:30/15:45h - Mesas de debates: Política Pública do livro, leitura e biblioteca para todos - Auditório Tabocas
Mediação de leitura com Rodrigo Ficher – Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede
- 13:45 – Mesa 1: Campanha “Eu quero a minha Biblioteca” – Lei 12.244 – Experiências exitosas para a garantia desse direito
- Apresentação da campanha e mediação da mesa com Volnei Canônica, Instituto C&A (RJ) – 15min
- Escola de Leitores com Cláudia Santa Rosa, Instituto de Desenvolvimento de Educação (RN) – 15min
- Escola Leitora com Ana Escurra, Bagulhadores do Mió (PE) – Experiência Implantada no Agreste Pernambucano: Caruaru,
Altinho e Agrestina – 15min
- 14:45 – Mesa 2: Bibliotecas Públicas e Comunitárias em Rede
- Polo Releitura – Isamar Martins (PE) – Incidência nas políticas públicas no Estado de PE: – 15min
- Comissão Inter Setorial – Gilvanedja Ferreira – (PE) – Construção de uma estratégia articulada – 15min
- Mediação da mesa: Cida Fernandez, Centro Luiz Freire
Ao longo do dia
- 9:00/17:00 - Mediações e Apresentações do Movimento por um Brasil Literário – Praça da Leitura
- Apresentação da experiência da Releitura – sala a ser definida
Encantamento poético: Bandeira, Capiba e Ariano Suassuna em aula-espetáculo

Ariano com Fábio Rogério e as crianças da Biblioteca Amigos da Leitura, do Alto José Bonifácio – Fotos: Amigos da Leitura
Aconteceu no Teatro Arraial, na segunda-feira, 29 de abril, o encerramento do Mês Manual Bandeira, promovido pelo Espaço Pasárgada. Ariano Suassuna, secretário de Assessoria ao Governador, assumiu o palco com a Aula-Espetáculo Tributo a Capiba, com destaque para a poesia de Bandeira musicada pelo compositor pernambucano. Um encontro de mestres, que encantou algumas crianças e adolescentes que frequentam as bibliotecas da Releitura, generosamente convidadas por Ariano.
Isaar França e Edinaldo Cosmo de Santana interpretaram as poesias-canções, a maioria delas, como destaca mestre Ariano Suassuma, “que muita gente desconhece”. Por exemplo: Tu que me deste o teu cuidado, seresta feita a partir de um poema de Bandeira; e Cotovia. Foram apresentadas nove músicas, apenas um frevo: Toada e Desafio. Ascenso Ferreira, Carlos Pena Filho e o próprio Ariano foram também musicados por Capiba.
A Aula-Espetáculo de Ariano seguiu o modelo, que já é tradição: mostra ao público o contexto do surgimento de cada música, recitando poemas, e abrindo espaço para as coreografias dos bailarinos do Grupo Arraial, criado por Ariano para desenvolver seu projeto de aulas-espetáculo.
Releitura em ritmo de formação continuada

A chegada das delegações ao local do Encontro Nacional do Programa Prazer e Ler/Instituto C&A. No prédio que abriga a Biblioteca Pública InfantoJuvenil de BH funcionou a Fafich – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, a chamada “consciência crítica” da Universidade mineira nos anos de chumbo, há vários anos transferida para o Campus na Pampulha
As atividades de formação da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede, eixo de sustentação do trabalho de ajudar a despertar leitores para o prazer da literatura e fortalecer as bibliotecas, já estão em curso neste 2013. Começaram no princípio deste abril, com o Encontro Nacional de Formação do Programa Prazer em Ler, do Instituto C&A , que reuniu todos os pólos de leitura parceiros, durante quatro dias, em Belo Horizonte, MG.
Esta semana foram retomadas as reuniões para definir agenda formativa com o Ceel – Centro de Estudos em Educação e Literatura, da Faculdade de Educação, da UFPE. Iniciou-se, também, o calentário de visitas de formação dos Gts – Grupos de Trabalho às bibliotecas recém-chegadas à nossa Rede: Biblioteca Poço da Panela e Educ Guri, no Recife, e Biblicom Simón Bolívar, em Abreu e Lima.
Vamos pelo princípio: a abertura do encontro de formação do PPL em BH foi prestigiada pelo casal de escritores Affonso Romano de Sant’anna e Marina Colasanti. Romano, mineiro da capital, é estudioso de Carlos Drummond de Andrade, e também de Rubem Braga; é poeta, cronista e ensaísta, dirigiu a Fundação Biblioteca Nacional nos anos 1990-96 e professor da PUC-RJ, dentre outras universidades no exterior. Colasanti é celebrada contista carioca. Dupla na vida e na arte.
Ambos contaram um pouco de suas vidas literárias, os processos de criação e a situação do livro, da leitura e da biblioteca na atualidade, resume Rodrigo Fischer, articulador e mediador de leitura da Biblioteca Peró. Ele foi encarregado de transcrever o evento.
Outros escritores mineiros foram convidados para as mesas das oficinas temáticas nos três dias seguintes do encontro: Carlos Herculano Lopes, jornalista, escritor premiado e autor de 14 livros, de literatura adulto, publicados – contos e cronicas, sobretudo, mas também romances; Frei Beto, dominicano, ex-preso político, autor de 56 livros publicados – romances, ensaios e contos, inclusive eróticos. A palestra de Frei Beto versou sobre literatura, processo criativo e formação de leitores, dentro do tema “Mediação de Leitura”. O blogue voltará ao assunto, oportunamente.
As palestras aconteceram na Biblioteca Pública Infanto-Juvenil, no Bairro de Santo Antônio, e contaram com outros convidados, que compartilham seus saberes e experiências de acordo com a temática do dia – clique para conhecer a programação já publicada aqui no blogue.

Visita à BorrachaLioteca, na histórica cidade de Sabará,vizinha à capital mineira – Fotos: Isamar-Cepoma

Cantinho Infantil da Biblioteca Comunitária Livro Aberto, do Bairro Goiânia, Zona Nordeste de BH – Polo Sou de Minas, Uai
Os trabalhos de socialização das experiências de cada polo se deram no próprio hotel onde as delegações de diferentes partes do Brasil se hospedaram – na Savassi, também na Zona Sul da capital mineira. A Releitura foi encarregada da oficina sobre os espaços das bibl.iotecas, com participação de Rodrigo/Peró, Isamar Santana/Cepoma, Fábio /Amigos da Leitura e Rogério/Multicultural Nascedouro. A oficina, segundo opiniões registrada por Rodrigo Fischer, foi “dinâmica e inspiradora”.
Na programação do Encontro houve espaço para visitas a bibliotecas comunitárias da Região Metropolitana de BH (fotos).
E assim, seguimos em frente.
Celebração do livro na Rede faz chover leitura
As bibliotecas-membros da Releitura celebraram o Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado em 18 de abril – aqui no blogue. Na Biblioteca Comunitária Caranguejo Tabaiares, na Ilha do Retiro, Recife, por exemplo, as crianças conheceram um pouco mais sobre a vida e obra de Monteiro Lobato, o criador da literatura infantil no país e confeccionaram, elas próprias, livros (foto ao lado).
Na Biblicom Simon Bolívar, em Abreu e Lima, reinou a poesia. As crianças puderam conhecer de perto o trabalho da cordelista e professora Lúcia Costa Carvalho, que além de declamar, realizou oficina de recitação com as crianças. O poeta Miguel Vieira também se apresentou.
Já na Biblioteca Popular do Coque, antecipadamente, as crianças desenharam inspiradas cartinhas para as nuvens, a partir da leitura do livro Severino faz Chover, de Ana Clara Machado. Pediram que elas mandem chuva para molhar o sertão, onde tem bicho e planta morrendo, e gente com muita sede. ”Dizem que a internet chega em tudo quanto é lugar. Então, deve chegar aí no céu também…”
E com tamanha inspiração, não há nuvem que resista.
Com isso, as crianças da BP Coque nos ajudam com a dica de leitura da semana, também.
No Dia do Livro Infantil, dicas mágicas de leitura
No Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado neste 18 de abril*, e dentro do nosso propósito de dicas semanais de leitura, aqui vão algumas sugestões de livros para encantar as crianças de todas as idades. Indicações da Biblioteca Peró, através do articulador e mediador de leitura, Rodrigo Fischer, que também integra o GT de Formação da Releitura n- Bibliotecas Comunitárias em Rede.
Ei-las:
O Visconde Partido ao Meio: Fábula contemporânea do escritor Ítalo Calvino, narra a história do Visconde di Terralba que, na defesa da cristandade contra os turcos, leva um tiro de canhão no peito. E sobrevive, porém, fantasticamente partido ao meio: a metade direita, atormentada pela maldade sem fim, e a esquerda, pela bondade exacerbada
No Meio de Uma Noite Escura tem um Pé de Maravilha: Reunião de dez contos folclóricos de várias regiões do país recontados por Ricardo Azevedo. Através de uma escrita jocosa e envolvente, resgata o imaginário popular brasileiro.
Dona Dolores: Escrito por Heinz Janisch e ilustrado por Helga Bansch, narra de maneira leve um tema cada vez mais presente e vivido no mundo todo: o cuidado com os mais velhos, e o faz a partir do relacionamento entre duas gerações – um menino e sua vizinha de 90 anos.
*O 18 de Abril foi instituído em homenagem a Monteiro Lobato, um dos maiores autores de literatura infanto-juvenil brasileira. Suas histórias, a partir do Sítio do Pica-pau Amarelo, são mágicas. A riqueza dos personagens D.Benta, Tia Anastásia, Narizinho, Pedrinho; e principalmente, Emília, a boneca falante de retalhos;Visconde de Sabugosa – um sábio de sabugo de milho; o Marquês de Maricá, um nobre porco rabugento; e as proezas da Cuca e Saci, nos levam a mundo encantando, onde o livro, a leitura, a imaginação e a aventura estão sempre presentes.
Peró leva a leitura aonde a criança está
Postamos algumas fotos do Baú de Leitura, ação externa da Biblioteca Peró junto às comunidades do entorno do Instituto Peró, em Jaboatão dos Guararapes, sua principal área de atuação. A primeira foto registra a atividade na Escola Nossa Senhora do Loreto, em Piedade. A segunda, nos apresenta a nova mediadora da biblioteca, Edilva Santos – e não Silva, como na postagem original -, em pleno ato de mediação.
Vez por outra, o Baú de Leitura extrapola as fronteiras para levar o prazer de ler aonde quer que se torne importante, e aonde a criança está. É o caso, por exemplo, da visita à Associação de Moradores da Vila Vintém, em Casa Forte, mês passado, registrada na terceira e última foto. Lá, a assistente social do Shopping Plaza pretende estimular a criação de uma biblioteca comunitária.
Em todas as situações, notem o encantamento da meninada. É isso que faz da nossa Releitura um caminho gratificante, que vale à pena partilhar.
Quem nos envia a foto é Rodrigo Fischer, articulador e mediador de leitura da Biblioteca Peró.
As dicas de leitura para abril
A partir deste abril, tentaremos postar, semanalmente, dicas de livros a partir de sugestões dos mediadores de leitura das bibliotecas-membros da Releitura. Começamos pelas bibliotecas Caranguejo Tabaiares e Popular do Coque, que colocaram indicações em seus respectivos blogues.
Na Biblioteca Comunitária Caranguejo Tabaiares, o livro do mês é O Perfume, a História de um Assassino, do escritor alemão Patrick Sükind – Das Parfum, die Geschichte eines Mörders. O livro foi lançado em 1985, vendeu 15 milhões de exemplares em 40 línguas diferentes e tornou filme, dirigido por Tom Tykwer, com Ben Whishaw no papel principal e Dustin Hofman na pele do perfumista com quem o protagonista desenvolve sua arte em busca do aroma perfeito.
Trata-se da história de um homem em busca de amor e aceitação, relata Camila Ferreira, mediadora de leitura. O cenário é a França do século XIII, onde o recém-nascido Jean-Baptiste é abandonado pela mãe em meio a restos de peixe numa feira livre de Paris. Rejeitado também pela natureza, que lhe negou o direito de exalar o cheiro característico dos seres humanos, pelas amas-de-leite e por instituições religiosas, o menino cresce sobrevivendo ao repúdio, a acidentes e doenças. Ainda jovem descobre ser dotado de imensa sensibilidade olfativa e parte em busca da essência perfeita, do perfume que lhe falta para seduzir e dominar qualquer pessoa. Nessa busca obsessiva, ele usurpa a essência dos corpos de suas vítimas.
“A meu ver Jean buscava encontrar o amor, ser aceito e ser amado, poder sentir e eternizar aquele sentimento, aquela fragrância que fazia seu coração palpitar. A ambivalência que esse romance traz é o que me apaixonou, pois para ele sentir o amor era necessário causar a dor. Para mim é uma obra encantadora”, escreve Camile.
Da Biblioteca Popular do Coque vêm – assim mesmo, no plural – as dicas de literatura infantil. São cinco livros, incluindo um cordel, que têm encantado a criançada; tanto as que frequentam a biblioteca, assiduamente, como aquelas que fazem reforço na escolinha próxima. Destacamos duas indicações, as demais podem ser encontradas no blogue da BP Coque:
Cara de um, focinho de outro, de Guto Lins, é um livro que desperta interesse pela simplicidade: pouco texto e letras bastão. ” É ótimo para crianças em processo de alfabetização. O enredo é lindo, sobre pai, filho e neto, com suas semelhanças e diferenças…”, explica Fabiana Coelho, mediadora de leitura da BP Coque e contadora de histórias.
O outro livro é O menino que (quase) morreu afogado no lixo, de Ruth Rocha, que fala de meio ambiente de forma divertida e encantadora. “Tanto que a meninada da escolinha fez a leitura na semana passada e, nesta terça, lembrou toda a história”, esc reve Fabiana no blogue.
Oralidade e palavra escrita na agenda literária de abril no Recife
Na programação literária do Recife, neste mês de abril, dois eventos interessantes para quem curte a arte das letras – e para quem ainda não é chegado, experimentar e passar a curtir: um deles é a primeira mostra literária do ano do Laboratório de Autoria Literária Ascenso Ferreira, que mescla a tradição oral à palavra escrita. Realizado pelo Sesc Santa Rita, começa nesta sexta, 05, à tarde e à noite até o domingo, 07 – sempre no auditório da Livraria Cultura, no Paço Alfândega, no Recife velho. Entrada gratuita.
Outra boa dica, que nos envia Gabriel Santana, ex-coordenador da Releitura, é a agenda cultural da Academia Pernambucana de Letras. O destaque fica por conta do seminário em homenagem aos 90 anos do membro da APL e professor emérito da UFPE César Leal, na segunda-feira,08, às 16:00 horas. Nelson Saldanha e Ângelo Monteiro falam sobre A literatura em várias dimensões.
Cantoria de Edilson Ferreira (PI/PE) e Antonio Lisboa (RN/PE) abre a Mostra Sesc de Literatura e Oralidades, às 19:00 horas desta sexta. Segue-se uma conversa entre Bráulio Tavares (PB/RJ) e Lirinha (PE/SP), mediada por Lourival Holanda (PE). No sábado, a programação começa às 16h, com a conversa Do Repente ao Rap entre Astier Basílio (PB) e Zé Brown (PE). E no domingo Chico César (PB) conduz a conversa sobre literatura e oralidade, para encerrar.
Já na ABL, semanalmente, às terças-feiras – 09, 16, 23 e 30 – há oficina literária com o acadêmico Raimundo Carrero, sempre às 15:00 horas. No dia 16, às 15:30, é a vez do Projeto Poetas Pernambucanos. Na quinta, 18, acontece a reunião do Grupo de Estudos Clarice Lispector, às 15:00 horas. E, finalmente, dia 23, Fátima Quintas fala sobre Gilberto Freyre, literato, às 14:30.
Programe-se e aproveite, pois.
Polos de Leitura se reúnem em Beagá
Todos os polos de leitura do Programa Prazer em Ler, do Instituto C&A, estão reunidos em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, em encontro nacional, a partir deste 1º de abril e até o próximo dia 05. A Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede está presente, com delegação que reúne as coordenações das 11 bibliotecas-membro.
O encontro anual do PPL Um por todos e todos por um Brasil de leitores acontece na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, com apoio da Fundação Municipal de Cultura da Cidade e se propõe reunir cerca de 150 pessoas – mais detalhes aqui, no portal do ICeA.
Abaixo a programação completa:
Carta aberta a Gabriel Santana
A Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede completa seis anos em abril. Uma experiência coletiva que já tem várias conquistas a comemorar, inclusive a chegada de três novas bibliotecas, e o aprofundamento da gestão compartilhada, este ano. Até o início deste mês contamos com a coordenação de Gabriel Santana, que nos deixa para alçar novos voos. Nossa rede faz questão de agradecer, publicamente, sua colaboração fundamental ao longo de todo esse tempo. Por isso, a carta aberta, que postamos a seguir:

Gabriel Santana fala sobre o desenvolvimento da Releitura durante Encontro Regional Nordeste do Programa Prazer em Ler, do Instituto C&A, em Jaboatão dos Guararapes, em novembro de 2012 – Foto: Eric Gomes
CARTA ABERTA A GABRIEL SANTANA
Caro e estimado Gabriel,
Antes que março termine, queremos agradecer a oportunidade da convivência com você nestes quase seis anos em que esteve à frente da coordenação da Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede. Foi um aprendizado coletivo muito rico, e você, com generosidade e desprendimento, soube buscar e partilhar conhecimento, conquistas, experiências e dividir responsabilidades.
Conquistamos muito desde 2007. Avançamos em nossa missão de contribuir para uma sociedade mais leitora e na visibilidade das bibliotecas comunitárias do Recife, Olinda e Jaboatão. Conseguimos evoluir, significativamente, para a valorização das bibliotecas comunitárias como espaços legítimos de valorização da cultura da leitura literária. Fomos pró-ativos, também, na luta pela sustentabilidade.
Colhemos outros frutos dessa luta coletiva: a Lei do Livro, tanto no Recife como em Olinda – exemplos que nos são especialmente caros. Há muito mais: a realização do I Encontro de Bibliotecas Públicas de Pernambuco, junto com parceiros da sociedade civil e do governo; a parceria com o Ceel/UFPE, cursos e oficinas de formação, dentro tantas outras atividades.
Em 2007, éramos apenas quatro bibliotecas, passamos a oito em 2009. Hoje, nossa Rede já soma 11 integrantes em quatro municípios da Região Metropolitana do Recife, um esforço conjunto dos coordenadores das bibliotecas, mas que contou também com o seu importante e fundamental empenho. Desde o início deste mês, passaram a fazer parte da Releitura as bibliotecas comunitárias do Poço da Panela, em Casa Forte e Educ Guri, da Comunidade da Mangueira, ambas no Recife; e a Simón Bolívar, de Abreu e Lima
Outra novidade é que, neste ano de 2013, experimentamos com mais profundidade afinco a gestão coletiva. A coordenação da Releitura, daqui para frente, será é compartilhada em grupos de trabalho:
- GT de Incidência Política – Fábio Rogério (Amigos da Leitura) e Rogério Vinícius (Multicultural Nascedouro)
- GT de Formação – Rodrigo Fischer (Peró) e Flávia Messias (Lar Meimei)
- GT de Eventos e Mobilização – Maria Betânia (BP Coque), Reginaldo Pereira (Caranguejo Tabaiares) e Selma Maria (Os Bravistas-Shekiná)
- GT de Comunicação – Flávio Rogério (Amigos da Leitura), Isamar Martins (Cepoma) e Sulamita Esteliam (Assessora de Comunicação)
- GT de Gestão Compartilhada – Flávio Rogério e Isamar Martins
Seguimos em frente, como pode ver. Entretanto, queremos dizer que sentimos e sentiremos sua falta, com certeza, Gabriel. Compreendemos que você tenha escolhido alçar novos vôos, e torcemos pelo seu sucesso. Mas sabemos de sua disposição em colaborar, e dela não abrimos mão; se não for no cotidiano, que seja à medida das suas possibilidades.
Muito obrigado, e um forte abraço de toda a Releitura.
Paz e Luz.
Memória de África em biblioteca digital
Olha só que boa dica nos chega: a Universidade de Aveiro e o Cesa - Centro de Estudos sobre África e do Desenvolvimento de Lisboa, Portugal, através do projeto Memória de África e do Oriente disponibiliza na Internet 2.500 obras sobre a história dos países de língua portuguesa durante o período colonial.
O projeto existe desde 1996 e oferece livre acesso a registros bibliográficos e obras digitalizadas que vão desde livros da escola primária do tempo colonial, a relatórios de antigos governadores das então colônias e outros documentos oficiais. Um verdadeiro maná para pesquisadores e curiosos – clique para acessar o sítio.
Entre várias preciosidades, estão lá os três volumes da História Geral de Cabo Verde e obras do cientista e poeta cabo-verdiano João Vário; a coleção completa do Boletim Geral das Colónias; a revista do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa de Bissau Soronda (1986-2009); o Boletim Cultural do Huambo em Angola; e O Oriente Português, da responsabilidade da Comissão de Arqueologia da Índia Portuguesa, publicado entre 1905 e 1920 e retomado entre 1931 e 1940.
Há obras digitalizadas de Angola, Cabo Verde, Goa, Guiné, Macau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor, acervo que, segundo Carlos Sangreman, da Universidade de Aveiro, pode ser enriquecido se os particulares que possuem obras em casa facultarem a sua digitalização ou referenciação – mais informações aqui, no Observatório da Língua Portuguesa.
Informação recebida de Roberto Azoubel, da Representação Nordeste do Ministério da Cultura, via Érica Verçosa, assessora Pedagógica do Programa Prazer em Ler, do Instituto C&A, importante parceiro da Releitura.
Comunicação pública para exercer a cidadania
Mais uma vez em cima da hora, mas ainda em tempo para quem pode e quer participar nos próximos dois dias. Acontece, desde a manhã desta terça-feira, 12, aniversário das cidades-irmãs Recife e Olinda, a 1ª Semana sobre Comunicação Pública, sempre de 9:00 h às 12:00 h. O evento é realizado para o Núcleo de Televisão e Rádios Universitárias da UFPE até 14 de março, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal.
Estão lá reunidos estudantes, professores, profissionais de comunicação e outros segmentos da sociedade civil que defendem a comunicação pública como instrumento primordial para a liberdade de expressão como direito e para a construção da cidadania plena.
Na programação da quarta-feira, 13, debate com a jornalista e professora de Comunicação da Unicap, Ana Veloso, que representa a sociedade civil no Conselho Curador da EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, responsável pela TV e Agência Brasil e Rádio Nacional. Ivban Moraes Filho, do Centro Luiz Freire e integrante do Fopecom – Forum Pernambucano de Comunicação, faz dobradinha com ela na discussão sobre Participação e Controle Social na Comunicação Pública. Clique para acessar a programação completa.
08 de Março: crianças da Tabaiares fazem homenagens

‘Mulher: a mais nua das carnes vivas e aquela cujo brilho é o mais suave’. Antoine de Saint-Exupéry – Foto: BCCT
As mulheres da comunidade Caranguejo Tabaiares recebem, neste 08 de Março, flores artesanais confeccionadas pelas crianças da Biblioteca Comunitária. Doses extras de carinho para homenageá-las no Dia Internacional da Mulher. Foi uma semana inteira de preparativos, que incluíram a produção de cartões que acompanham as rosas de papel.
Certamente levam junto um verso, que traduza a importância e a luta que é ser mulher, em todos os tempos. Uma batalha cotidiana, que às vezes parece não ter fim. No entanto, há muito o que comemorar, sim. Mas, há outro tanto ou mais para avançar. Estamos aqui para fazer a nossa parte, e é isso que importa.
Acompanhem pelo blogue da Tabaiares, toda a movimentação em torno da celebração do Dia da Mulher.
É só clicar, que a Mayara, mediadora de leitura e comunicadora inata, garante as atualidades.
A propósito, a gente anunciou e depois não postou o resultado da ação. Aqui vai o acesso, com todos os detalhes, do que foi o primeiro. de oito eventos no ano, do Projeto Leitura na Rua, realizado pela Caranguejo Tabaiares, no último 27 de fevereiro.
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E, para quem é de Olinda, vale à pena conferir o Sarau Artístico Literário Mulheres Negras e Brasileiras, roda de diálogo com a Afros Mundos -Associação Francesa para Promoção de Negras/os Brasileiras/os no Exterior, promovida pela Biblioteca Municipal. No salão nobre Dom Helder Pessoa Câmara, a partir das 19:30 horas.
Dia enviada por Flávia Messias e Márcia Abreu, da Biblioteca do Lar Memei, e a quem o blogue agradece.
Na programação:
- Africanidade, Matriarcado e o Papel dos Homens (especialmente negros) na Luta por Igualdade de Gênero, com Lepê Correia
- A Representação da Mulher na Gestão daEducação Musical, com Juliana de Lima barros
- Representação Política das Mulheres no Brasil e no Exterior, com Márcia Moraes
- O Protagonismo das Mulheres Negras, com Nãnan Mattos
Histórias de Natal
O clima de Natal é inescapável. Nossa ideia inicial era encontrar um poema de autor pernambucano que falasse sobre essa data tão importante na vida das pessoas, independentemente da fé ou religião. Mesmo aquelas que não creem, se valem da oportunidade para confraternizar com amigos e familiares, quase sempre.
Na busca pela Internet, numa dessas felizes coincidências, encontramos a reprodução de catálogo especial de exposição realizada em 2006, com o título “O Natal em Manuel Bandeira e Cândido Portinari“, realizada pela Superintendência de Bibliotecas Públicas do governo de Minas – aqui a íntegra. A história que reproduzimos abaixo é a abertura do catálogo, que traz poemas do pernambucano ilustradas com obras do pintor brasileiro, nascido no interior de São Paulo e radicado no Rio de Janeiro, a partir dos 15 anos. E um saboroso texto do próprio Bandeira, explicando o nascimento de seus 10 poemas escritos, nas palavras do poeta, “por ocasião do Natal”.
A Releitura – Bibliotecas Comunitárias em Rede deseja a vocês um Feliz Natal, com paz, harmonia, alegria e abundância.
A origem do Presépio
Reza a tradição franciscana que, no Natal de 1223, estando São Francisco de Assis em Greccio, quis ajudar a celebrar a Missa do Galo em uma gruta nos arredores da cidade, posta à disposição dos irmãos franciscanos por um amigo do Santo. Por sua determinação, foi organizado no local uma reprodução das condições em que nasceu Jesus, com a manjedoura, o burro e o boi. Os moradores dos arredores acorreram em grande número, com tantas velas e lanternas, que o bosque ficou iluminado como se fosse dia.
Durante a missa, o amigo, ao olhar para a manjedoura, viu, deitado nela, uma criança adormecida. Francisco, então, pegou-a, delicadamente, no colo. Ela acordou, sorriu e brincou com sua barba, exatamente como se Jesus menino estivesse no colo do Santo. Para o amigo de São Francisco, foi como se Jesus, que até então estivera adormecido no coração dos homens, houvesse acordado com as palavras e atos do santo Assis.
Mais tarde, Francisco falou ao povo sobre o nascimento de Cristo e o significado do Natal com tal calor, que todos se encheram de grande alegria. No ano seguinte, os habitantes de Greccio contavam com tanta admiração as alegrias dessa bela Noite de Natal, que por toda parte se passou a reconstituir nas grutas e estábulos a cena tocante do Nascimento de Jesus.
É por isso que, se nos países do norte da Europa o símbolo do Natal é o pinheiro coberto de neve e decorado com objetos coloridos, no sul, onde impera a tradição latina, o verdadeiro símbolo do Natal é o Presépio ou Presepe, a reprodução do nascimento de Jesus inventada por São Francisco de Assis.
Também na tradição natalina brasileira, filha direta da portuguesa, o Presépio é presença indispensável nas casas onde se celebra o Nascimento de Cristo. Não é de se admirar, então, que dois dos maiores artistas brasileiros do século XX, o poeta Manuel Bandeira e pintor Cândido Portinari, tenham esse tema presente de maneira marcante em suas produções.



















